segunda-feira, julho 11, 2011

Paramym

Paraty para mim foi uma daquelas viagens não programadas, que só aconteceu em decorrência de um convite simpático. Achei que era literária, mas vou te confessar, tanto fazia estar aqui ou em qualquer outra cidade histórica com uma prainha pra tomar cerveja. O que valeu mesmo foi a companhia.
Vi palestras, claro que vi. O Joe Sacco foi interessante e os três escritores brasileiros falando de ficção foi bem show, estou até agora encafifado com coisas que ouvi. A última acabou sendo o ultra-mega-bonachão-bonzinho João Ubaldo Ribeiro, eu até sequestrava pra ter um avô daqueles.
Teria outra, mas eu teria de sacrificar a última hora com a sapaiada e nenhuma dupla de escritores colombianos vale a troca.
Quem sabe na próxima eu assisto mais palestra? Nessa o que deu pra fazer mesmo é confirmar que a Sam e a Bobie são as pessoas mais incríveis que eu já conheci. Na vida. Sério.
Vou ficar contando os dias pra Flip 2012. Ou não.

segunda-feira, maio 30, 2011

A fria da Apple

5h47 - O sol acaba de nascer em Boston, Massachusetts. Apesar de ser meados de abril, não parece primavera e os moradores da cidade continuando reclamando do frio. A temperatura está pouco abaixo de zero grau, mas o vento piora bastante a situação. Levanto cedo na esperança de conseguir comprar um iPad 2, a mais nova coqueluche do mercado mundial de gadgets. Esta não é uma matéria sobre os recursos desses aparelhos, pesquise na web e você acha fácil informação. O foco aqui é: como uma empresa trata os consumidores que se interessaram em comprar um de seus produtos.
Antes de ir ao extremo de ir a loja tão cedo, eu até tentei seguir pelos caminhos normais. Como um consumidor moderno, entrei no site da Apple, onde informavam a variedade de tablets à disposição. Depois de um mês pensando se vale mesmo comprar aquele aparelhinho que não é notebook nem celular, decidi gastar o dinheiro. Somente no final da compra, o site informava que o aparelho só chegaria em casa cinco semanas depois. Ou mais. Agora, 90 dias depois de lançar, a Apple jura que consegue entregar em duas semanas. De qualquer forma, o problema não é novo, a empresa fez o mesmo no lançamento dos iPhones e no primeiro iPad. E eu que pensei que a produção just-in-time popularizada na década de 90 havia chegado a todas as empresas.
De qualquer forma, era tempo demais; eu voltaria ao Brasil em duas semanas.
Retornei aos hábitos de consumidor antigo e fui até uma loja. Era uma daquelas impressionantes lojas envidraçadas da Apple que lembram um enorme cubo de gelo. Como o aparelho, são feitas para deslumbrar os consumidores em busca de design e moda. Logo na entrada, um funcionário me explicou que não havia iPads disponíveis para venda, qualquer que fosse a configuração. Mas foi caridoso e revelou como se compra o objeto de desejo da ultramoderna Apple. “Todo dia recebemos, mas eles são vendidos antes mesmo das 10h, quando a loja abre”.
Fiquei sabendo que os consumidores se amontoam na porta antes das 7h e recebem uma senha. Podem comprar no máximo dois iPads, e muitos revendem o excedente, ou até os dois. Costumam ganhar US$ 100 em cima de cada tablet.
Neste momento, a maioria dos consumidores racionais já teria desistido de comprar um produto que na verdade não esta à venda. Também foi o meu caso. Mas por que eu me vi alguns dias depois vendo o sol nascer e passando frio na frente da loja da Apple? É porque resolvi passar pela experiência de um caso único de consumo e loucura coletiva americana. E depois contar para vocês.
Assim, cheguei naquela terça-feira na loja da Apple na Boylston Street, conhecida avenida de Boston. Uma fila com cerca de 40 pessoas esperava do lado de fora da loja da Apple. Eram 7h05 e algumas daquelas pessoas estavam ali havia horas. Alguns minutos depois o funcionário veio até a porta e informou que não haveria iPads disponíveis naquele dia. Mais de 40 dias já haviam se passado desde o lançamento oficial.
A maior parte do grupo dispersou, enquanto alguns candidatos a clientes se aglomeraram para falar com o funcionário, que sabiamente mantinha a porta apenas entreaberta. “O aparelho chega amanhã?” Ele respondia: “Sim, provavelmente. Não há como garantir”.
Há vários aspectos a abordar aqui: o porquê desse irrefreável desejo, qual a razão do cliente não esperar dois meses para receber o produto em casa, como uma empresa se arrisca a perder clientes ao invés simplesmente produzir mais (a resposta oficial da Apple é que eles simplesmente não conseguem, embora a maioria dos especialistas aposte em uma jogada de marketing para criar barulho no mercado).
Ao invés de insistir nesses pontos que exigiriam uma análise psicológica ou uma dose de imaginação, vou me ater ao modo como o cliente é efetivamente tratado pela empresa. O próprio Steve Jobs, considerado um gênio pela maioria do mercado de tecnologia, já adquiriu um histórico de responder mal a clientes. Ou com o que os clientes se importam: na semana seguinte a minha ida à loja da Apple, a mídia americana informava que a empresa da maçã mordida era a última no ranking verde de empresas de tecnologia. Steve Jobs pode ligar para as verdinhas, mas não muito para ser verde.
Sabendo que precisava ir até o fim para poder contar a história, voltei no dia seguinte à mesma loja. Graças a um táxi, cheguei ainda mais cedo. Eram 6h20. O taxista riu quando eu expliquei o que era aquela fila de 15 pessoas parada no frio na avenida Boylston, em Boston. Alguns minutos depois de eu entrar na fila, um bêbado passou repetindo: “iPad 2, iPad 2”. Mais tarde, uma mulher se aproximou e me perguntou do que se tratava aquilo. Eu respondi, ela agradeceu e se afastou com um sorriso incrédulo.
Os donos do primeiro e segundo lugares estavam sentados em cadeiras de praia. Logo atrás delas, quatro pessoas dormiam embaixo de cobertores (depois eu iria descobrir que eles estavam ali para revender os iPads e ganhar, em média, US$ 100). O resto estava na fila de pé, como consumidores (quase) normais.
Às 7h15 já eram mais de 40 pessoas na fila. Mais quinze minutos e o grupo somava 50 pessoas. O rapaz a minha frente era de Cingapura e estava ali porque já era um usuário do iPad 1. Nunca havia testado os produtos da concorrência, mas parecia seguro de que o iPad ainda era a melhor opção “pelo número de aplicações”.
Essa situação está mudando rapidamente. O iPad ainda lidera com quase 340 mil aplicações disponíveis e os concorrentes com Android oferecem 210 mil. Entretanto, estes têm mais aplicações gratuitas, crescem três vezes mais rápido e devem ultrapassar o iPad em aplicações até agosto (as informação são das empresas Distimo e Research2Guidance).
Se não há lógica, melhor apelar para a psicologia. Pensando no absurdo da cena, ficou claro que a Apple cria popstars. Da mesma forma que fãs de bandas se acotovelam na saída de shows ou porta de hotéis, sofrendo por um autógrafo, o iPad 2 é o astro tecnológico do momento. Aqueles eram seus fãs dispostos a qualquer coisa. Obviamente, nada racional. Mas o pior ainda não havia acontecido.
Às 7h35, uma funcionária da loja saiu e avisou a fila que não havia iPads para usuários da operadora celular AT&T. Um grupo começou a se afastar. A notícia era ruim para os usuários internacionais porque os iPads da AT&T são os únicos que aceitam sim cards, os chips que vão dentro dos celulares. Portanto, só havia iPads da operadora Verizon, que usa tecnologia CDMA (a mesma que a operadora Vivo usava antes) e não permite a inserção de chips.
Depois de falar sobre os iPads da Verizon a funcionária falou algo sobre Wi-fi, de onde os candidatos concluíram que valia a pena esperar para comprar um iPad sem 3G. Sobraram 35 pessoas.
Enfim, às 8h30 a mesma funcionária sai novamente distribuindo pequenos papéis. Era pegar um e voltar às 10 horas, quando a loja abria. Então, ainda na frente da fila, ela falou mais alto: “Mas eu disse que só tinha Verizon”. Alguns clientes saíram de trás da fila e rodearam a funcionária. “Não, não temos Wi-fi”, ela repetiu. Um cliente retrucou, nervoso: “Mas ninguém lá atrás ouviu você falando”.
Mais gente começou a ir embora, entre frustradas e irritadas. No fim, menos de 10 pessoas pegaram um senha, para voltar mais tarde e finalmente comprar o aparelho. Há uma loja em Nova York que fica aberta 24 horas por dia, mas a realidade no resto dos EUA é essa: cliente chega às 6h e a loja abre às 10h.
Achei uma loja de eletrônicos na mesma rua (aberta desde às 7h), onde perguntei quais os tablets disponíveis. Havia um Xoom, tablet quase do mesmo tamanho do iPad, mas fabricado pela Motorola (os fabricantes pronunciam “zum”, mas no Brasil o som da letra X pode fazer com que fique “chom” ou no máximo “chum”).
O iPad tem 9.7 polegadas, o Xoom tem 10.1. O sistema operacional do aparelhinho concorrente é o Android, da Google. Uma vantagem para mim e outros clientes, porque é o mesmo sistema operacional de diversos celulares e bastante amigável com os aplicativos do Google disponíveis no computador.
Em 15 minutos eu saía da loja com o Xoom em mãos. Em casa e na rua, me diverti acessando sites de informação e o Facebook. A qualidade da tela é excelente, o touch-screen idem e a navegação é boa (com exceção de alguns sites, que decepcionam. Espero que com o tempo melhore).
De volta ao Brasil, peguei um tablet da Samsung para testar, o Galaxy, com 7 polegadas (também com o sistema Android e produzido no Brasil). A fabricante coreana já avisou que até julho deve chegar ao Brasil um modelo com 10.1 polegas. E até agosto, outro modelo com 8.9.
A Apple resolveu adiantar a produção do iPad no Brasil e já começou a vender. Talvez a loucura coletiva não se repita, há menos brasileiros dispostos a loucuras por um produto da Apple. Só podemos esperar que a empresa descubra uma maneira de tratar melhor os consumidores. Apesar do Brasil ser um país tropical, há cidades em que as madrugadas de junho e julho são bem frias.

domingo, maio 29, 2011

Troca no Thor

… e o Thor é ok (in my opinion, como diria Will Gardner).
A história é boa, os efeitos são ótimos, as cenas de ação são legais, até acho que os atores funcionaram bem. Então qual o problema? Gente demais.
No Thor não tem subplot, tudo tem relação com o personagem principal. Acho que os roteiristas apostaram que não teria tédio porque há trocentos personagens. Ok, eu achei legal ver o Volstagg, Heimdall, etc. Mas precisava da Sif? Da mãe do Thor? Precisava de tanta gente? Quantos personagens tem no Iron Man?
O resultado é que mostraram muito e não mostraram nada. Alguém compra a transformação do herói em dois dias? Pense, ele chega na Terra e tudo se resolve no dia seguinte. Isso é o suficiente para um deus ficar humilde? Bem que podiam ter seguido a história original e ter feito ele passar uns anos na Terra usando uma bengala.
Troco 5 personagens por uma narrativa mais legal.

quarta-feira, abril 20, 2011

Different roads

One day you need to make that decision.
You have walked too long in your road and now it seems very comfortable. There are fewer stones and more pleasures. You start thinking it might be time to get into that another road alongside.
But that road has more holes, it´s steep and full of conflicts. It does not look so good. People respond to you that you never know that road unless you actually take it.
Who went by it swears it was the best decision of their lives. Nobody backs down. It seems to you that the real life is on the other road.
I follow my road while I keep thinking. The thing is: you can not have both. Once you choose, the road will charge its price.
I look forward, as someone says to me: Be assured, they will take you to very different places.

terça-feira, novembro 09, 2010

Zen noção

Nem tava com fome, mas o cheiro do pão-de-queijo entrou de um jeito na narina que eu eu fui direto para a lanchonete do metrô. Foi me aproximar do balcão e a mocinha falando no celular entrou na minha frente. Esperei, né... Não tava com pressa.
Ela pediu, a moça olhou pra mim, eu pedi, peguei o pãozinho e fui para o caixa. A moça tinha continuado no balcão, mas de alguma forma ela, ainda no celular, cortou meu caminho e chegou no caixa. Esperei, esperei, não foi um pagamento simples. Na verdade, faltava alguma coisa e ela tava ainda lá, falando no celular e ficou esperando o produto ali no caixa mesmo.
Sabe, ando meio zen, essa vida sem muito o que fazer tira todo o stress, não tenho que ir pra lugar nenhum, chego sempre muito adiantado. Pra quê reclamar? Fiquei esperando.
Aí finalmente a moça do caixa me viu, por cima da moça do celular, que era baixinha, me perguntou o que era. Eu mostrei o pacotinho, ela falou o valor, eu estendi o braço com a nota por cima da moça (sim, sim, ainda no celular e empatando a fila do caixa).
Paguei e fui embora. Lá longe ainda olhei pra trás, a moça estava lá, no caixa. Falando no celular.

terça-feira, janeiro 06, 2009

O consumidor de 2048

Vai demorar para eu voltar a escrever por aqui, mas acho que é um bom lugar para registrar textos. Então de vez em quando vou passar por aqui só pra constar.
Esse aqui tá atrasado. Ano retrasado a HP me pediu pra escrever um texto sobre a tecnologia nos próximos 40 anos. Como acho chatérrimo ficar teorizando, escrevi um dia cotidiano possível para alguém que viva em 2048. Parece adequado para este início de ano.
Aviso que o texto está mal estruturado, hoje eu percebo. Mas ainda acho as idéias legais. Dá uma olhada lá e me diz o que acha. Clique aqui!

segunda-feira, janeiro 05, 2009

Novo point virtual

Galera, inaugurei um novo local para deixar minhas marcas na internet. Dessa vez, é só um bloguezinho para colocar excertos de minhas matérias na B2B. Mas tá valendo.
Quem quiser checar de vez em quando, é o http://godinhob2b.wordpress.com/.
Abraços!

quinta-feira, abril 06, 2006

Parada estratégica

Escrevo para me justificar à meia dúzia de leitores deste blog bissexto. Minha produção aqui nunca foi exatamente constante. Agora, devo oficialmente parar por um pequeno período. É que desde esta segunda-feira assumi a movimentada rotina de quem produz textos para a mídia diária e online. Passo meus dias produzindo mal traçadas linhas para o site Investnews e o jornal Gazeta Mercantil. Está sendo uma experiência interessante e um desafio. Assim que eu me adaptar a este novo ritmo de vida, retorno ao blog (provavelmente em maio). Até lá!

sexta-feira, março 24, 2006

Clímax digital

Virou lugar comum dizer que a história da TV Digital é uma novela. Interminável, com namoro e sedução corporativa, mocinhos e vilões, não falta nada. Nem uma reviravolta no final. Quando parecia que o padrão japonês tinha levado, chega a China querendo salvar a pátria (qual pátria?). E a batida expressão BRIC, que já começava a cair em descrédito, volta ao noticiário. O curioso disso é perceber como a China definitivamente dá as cartas. A história do padrão BRIC de TV digital foi sugerida antes, mas ninguém deu muita trela. Basta a China dizer "vem" e os candidatos vão correndo. Mas quem sabe agora vai?

domingo, março 05, 2006

Grande irmão em um mundo novo


A polêmica dos chips implantados esquentou já no mês passado, mas a imagem que eu vi hoje na CNN motivou esse post. Na reportagem, um sujeito passa o braço no leitor e a porta se abre. Não se trata de instalações militares, nem de testes ou pilotos. Uma simples e pequena empresa de vigilância eletrônica deu a opção aos seus funcionários e 60% deles escolheram colocar o implante que dá acesso a uma sala de segurança máxima. O resto preferiu continuar carregando a velha chavinha digital. O CEO, Sean Darks, se defende: não posso rastrear meus funcionários, não há GPS, o chip não emite sinal, nada disso. Só abre a porta. Brrr... Ainda é esquisito. Voltamos a conversar sobre o assunto em 20 anos.

sábado, março 04, 2006

Público ou privado

A polêmica continua. Semana passada, mais 20 estudantes foram expulsos por escrever bobagens e publicar "obscenidades" na internet. A maior parte dos casos está relacionada ao site MySpace, o orkut americano, hoje com mais de 40 milhões de membros. Adolescentes enchem as páginas com fotos sensuais, o que dá uma brecha para que diretores de escolas ultraconservadoras chiem. Na página de Gabrielle Johnson, uma das expulsas, era possível ver um quiz bastante popular em que aparece a imagem da modelo Adriana Lima, em - poucas - roupas carnavalescas. Mas o que mais pega mesmo são as tirações de sarro em cima de professores e reitores. Antes, essas coisas eram restritas a cochichos e bilhetinhos. Agora está na web. Ah, eu chequei hoje a página de Gabrielle e ela limitou a visitação a sua lista de amigos. O espaço é dela, finalmente.

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

RIAA chora

Lawrence Lessig deve estar rindo à toa. Os caras do Arctic Monkeys detonaram. Para quem não sabe, é uma banda inglesa daquelas que as gravadoras globais odeiam. No dia 22 de janeiro, lançaram um CD nas lojas. É claro que já dava pra baixar as músicas de graça do site muito antes disso, desde outubro. Fracasso? Que nada. Venderam mais em 7 dias do que todo o Top 20 britânico junto. E ainda devem ganhar um prêmio hoje. É a prova de que os "doidos" do Creative Commons estão certos. Downloads gratuitos dão mesmo dinheiro. Muito dinheiro. Será que a RIAA agora acorda?

terça-feira, fevereiro 14, 2006

Inovação e porrada

A Nokia é uma daquelas empresas que volta e meia eu sou obrigado a elogiar. E não é porque eles levam jornalistas legais pra Barcelona. Nada a ver. Mas eu acho que os finlandeses fumam alguma droga alucinógena. Primeiro, sairam dos produtos mais banais para a telefonia móvel. É o que um colega meu (um dos cinco leitores desse blog) chamaria de "turnaround". Aí, pra não deixar a peteca cair, estruturaram a empresa em pequenas células, ágeis e espertas (muuuito antes do Google). Bom, há pouco tempo andaram às turras com uma conhecida operadora brasileira pra vender celulares que baixam músicas do computador por bluetooth. E agora, olha só, finalmente eles vendem um fone (o 6136) com VoIP. Vez ou outra a empresa "líder de mercado" também é legal e compra brigas muito boas. Às vezes.

sábado, fevereiro 11, 2006

Google lava-pratos

Não, não é a última investida do casal Google. É só um post de fim de semana, meio atrasado. Quando os caras estiveram no Brasil, quase foram pra cozinha lavar pratos. Tá, na segunda eu volto a ser sério (ou quase).

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

Delícia de negócio

Parece que a venda do Del.icio.us para o Yahoo não afetou a disposição dos fãs. Tenho visto muito isso ainda na net, os elogios continuam. O site organiza e compartilha os endereços favoritos que o usuário encontra na internet. Parece simpático, né? A empresa de Jerry Yang e David Filo teria pago 30 milhões de dólares pelo Del.icio.us. Coisas da web 2.0. Claro que não é nem perto dos 5,7 bilhões de dólares pagos pela Broadcast.com em 1999. O que torna a história do Del.icio.us curiosa é que os investidores, entre eles Tim O'Reilly, admitiram publicamente que ainda não estavam ainda certos qual seria o modelo de negócios. O Yahoo chegou na hora certa.

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

Como nasce uma tendência

Ver o parto dessa Web 2.0 está sendo interessante. Em maio, pensei em escrever algo sobre uma nova internet. Acabei indo fazer outras coisas e comi bola. A Business Week não. Foi rápida e fez a primeira matéria de peso. Os pais do "modismo" foram Tim O´reilly e sua trupe, que deram nome e berço pra criança. Claro que o Sílvio Meira fez um post legal logo depois. Em janeiro, a imprensa brasileira finalmente acordou e alguns veículos arriscaram umas matérias. Chegaram a dizer que a Web 2.0 eram alguns produtos que ameaçavam a Microsoft. Tem um pouco a ver, mas teria de ser um mundo muito pequeno se fosse só isso. Bom, tudo isso pra dizer que finalmente na semana passada escrevi algo a respeito, tá saindo nessa próxima edição da Foco Economia. Espero que gostem.

sexta-feira, fevereiro 03, 2006

Nada escapa

Ano passado, a Fast Company fez um brincadeira em que terceirizava a apuração e edição de uma página para a Índia. Foi interessante, mas eles fizeram um pouco de troça da idéia. Agora, lendo o mais do que badalado "O Mundo é plano", vi que o jornalismo já virou objeto do offshore faz tempo. Lá fala de como a Reuters já tem 300 jornalistas indianos de prontidão só para analisar resultados das empresas. Trabalho mecânico, sem análise. Ok, mas o próprio autor conta que começou na carreira fazendo isso. Afinal, ninguém começa do topo, certo? Nessas horas, acho ainda mais legal ter nascido cultivando a "última flor do Lácio, inculta e bela" (é, cara, o idioma dos portuga).

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

Software ou álcool?

A galera dos bits pode estar com uma ponta de inveja do pessoal da cana. O casal Google vem ao Brasil e fica fissurado é em uma usina. O Bill Gates olha pra cá e também só se interessa no matagal. A Veja (eca) faz uma matéria enorme sobre o álcool, dispara a falar de inovação e dá cinco vezes menos espaço para UMA empresa campineira de software. E até o Bush (eca de novo) elogia a tecnologia brasileira dos carros bicombustíveis. É, acho que eu bebi foi é pouco.

quarta-feira, janeiro 25, 2006

Vai e volta

A migração fez da metrópole uma cidade multicultural, retrato de cada pedaço do Brasil. Esse processo está quase parando. O PNAD 2004 já mostrou que há mais gente saindo do que vindo. Afinal, a construção civil e a indústria de baixo valor agregado perderam importância em São Paulo. O que dá emprego hoje exige uma qualificação mínima e o grupo migrante de baixa renda não tem. Ao mesmo tempo, é curioso observar que muita gente fica indo e voltando, segundo o PNAD. É possível que a queda nos custos de comunicação tenha facilitado o vai-e-vem. Tem coisa boa lá, tô indo. Tá bom em Sampa, tô voltando.

terça-feira, janeiro 10, 2006

O que Page não disse e a publicidade

Comecinho de ano agitado. Tá, a CES foi uma porcaria. Ok, até Tom Cruise e Morgan Freeman estavam lá e eu não. É, o pacotinho do Google deixou a desejar. E a loja de vídeo é sensacional em esportes, mas o começo foi xôxo com tão poucos videoclips. Esquece tudo isso. É o que Larry Page não disse que interessa. Sim, o Google vai ter um sistema operacional e um office próprio. E eles têm o dedo no projeto de 100 dólares do MIT. Mr. Gates deve estar arrependido de ter colocado dinheiro na AMD. Ah, as voltas que o mundo dá. Aliás, o engraçado de tudo isso é que em pouco tempo a tecnologia pode estar funcionando justamente em torno da publicidade, aquela que caiu em desgraça no fim da bolha. Claro, isso se o pessoal do Google aprender a fazer uma aplicação que dê certo (o Gmail até agora é uma solene exceção).